Viver e Crescer – Fernanda MeiraFernanda Meira

A inocência que nos mantém vivos

Algumas lágrimas podem curar, lavar a alma e certas memórias também. O chá de capim- cidreira em tarde chuvosa, a farinha de mandioca secando ao sol, o frango com jurubeba, são pra mim exemplos de fortaleza e conforto. Você pode destacar as lembranças que foram positivas e trazê-las quando a insegurança e o destempero chegar….

Desdém ao Desespero

Uma neblina espessa cobria o seu olhar. O sofrimento lhe saía pelos poros e não conseguia dizer o que a partiu sem esmorecer. Transbordava, sentia-se só. Perdera a família, a saúde, a capacidade de trabalho e outro motivo pra ter brilho nos olhos. As palavras tinham um gosto salgado na boca e estremeciam o corpo…

Clandestina Esperança

Considero o exercício de estourar pipocas uma proeza, algo peculiar. Isso porque estou acostumada a saboreá-las por outros feitos que não os meus. Penso ser de grande responsabilidade transformar todos os grãos, o que talvez não exista, mas ocupa meus pensamentos em momentos de ócio. Tal façanha exige conhecimento de causa: pra mencionar a temperatura…

Paredes de papel

Era entardecer de outono e o sol ainda estava disposto, atingindo com animosidade cada canto da casa simples e úmida da chuva de anteontem. A conversa animada dos compadres juntou-se a paisagem ao final da rua machucada, destacando–se pelas belas planícies com criativos tons de verde musgo e abacate ou como preferir quem observar. As…

Depois que a banda passar

Era final de madrugada, silenciosa como término de festa. Caminhava entre pedras pequenas e chão corroído, enfeitado por restos de confetes, tintas e paetês. Havia espaços bonitos, iluminados pelo sol ressurgindo acanhado, receando apagar o brilho da noite. A luz evidenciou as marcas de uma cidade grande com jeito de interior, mostrando que sabia os…